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A integração lavoura-pecuária trazendo maiores resultados para as propriedades

21/11/2017 15:11h

O cultivo irrigado de arroz no verão alternado com o pastejo do gado nos meses de inverno é uma velha combinação utilizada nos campos da metade sul do Rio Grande do Sul. Entretanto, a combinação dá sinais de esgotamento, uma vez que a pecuária entra de improviso, sem adubação ou manejo da pastagem.

Ao verificar essa lacuna, um trabalho de pesquisa multidisciplinar foi desenvolvido para apresentar aos produtores da região que é a integração lavoura-pecuária (ILP) feita em moldes personalizados, aliada à diversificação de culturas e o manejo correto do solo, pode trazer maiores ganhos de carne por hectare e mais lucro com o arroz.

A fim de comprovar a pesquisa, foi desenvolvido o projeto Sistemas Integrados de Produção Agropecuária em Terras Baixas (SIPAtb) que está sendo administrado na Fazenda Corticeiras, no município de Cristal, 160 km de Porto Alegre (RS).

Para a área experimental foram concedidos 18 hectares, onde são simulados cinco sistemas de produção, onde o cultivo de arroz “retorna” para a mesma área em um, dois ou quatro anos, sendo intercalado pelo cultivo de espécies de verão (soja, milho, capim sudão) e inverno (azevém com trevo branco, trevo persa e cornichão). Por segurança estatística, cada tratamento é dividido em três áreas (repetições). O pastejo é contínuo, mas a lotação, variável. O porte da forrageira é mantido por animais “reguladores”, bezerros de desmama Angus e Devon que são inseridos e retirados de acordo com a necessidade. Pelo menos três animais – chamados de “testes” – sempre permanecem em cada tratamento, para avaliação do ganho de peso. O trabalho é coordenado pelo professor Paulo César de Faccio Carvalho da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em parceria entre a universidade, a Embrapa Pecuária Sul, o Instituto Rio-Grandense do Arroz (Irga), a Integrar Gestão e Inovação Agropecuária e o Serviço de Inteligência em Agronegócios (SIA).

O início do projeto contou com ressalvas, já que o boi é visto de forma desconfiada na região. “Há uma crença de que a pecuária em região nas áreas de arroz não apresenta bons resultados, por causa dos terrenos alagadiços”, conta o agrônomo Paulo Marsiaj Oliveira Neto, mestrando em Zootecnia pela UFRGS, um dos pesquisadores do projeto. Outro fator que explica porque a atividade nunca foi conduzida de forma como deveria, é o receio de que comprometa a produção arrozeira. Segundo Carlos Nabinger, professor da universidade, a compactação, de fato, pode ocorre em áreas de difícil drenagem, como é o caso das terras baixas, mas o problema é facilmente contornável. “Basta ajustar a carga animal de modo a controlar a intensidade do pastejo”, afirma.

No que diz respeito à produtividade por hectare, os resultados da primeira fase do projeto, concluída esse ano (2013-2016/2017), mostram que nas áreas de integração nas quais há maior diversificação de culturas os resultados de produtividade agrícola e pecuária são melhores.

Um dos desafios do projeto, além de exibir resultados positivos em relação à produção de grãos, é demonstrar aos produtores que é possível reduzir o custo de produção do cereal com a ILP. O professor Carlos Nabinger explica que a introdução do boi ou outra cultura pode ajudar a controlar invasoras como capim-arroz ou canevão e o arroz-vermelho, considerado a principal planta invasora da lavoura arrozeira irrigada.

Após o término da primeira fase do experimento com a colheita de arroz e a instalação das pastagens de inverno, em abril deste ano, teve início o segundo ciclo do protocolo SIPAtb, que vai de 2017 a 2020/2021. Para a segunda fase, o arranjo dos diferentes sistemas será mantido, o diferencial ficará por conta do manejo de adubação de culturas. Em vez de adubar as culturas separadamente em duas etapas – forrageira de verão e inverno -, a operação será feita uma única vez, com o adubo sendo lançado na pastagem, e não na cultura agrícola.

Ao ir contra novamente ao sistema padrão, o projeto encontra obstáculos. Segundo Carlos Nabinger, concentrar a adubação na pastagem é estratégia e trará benefícios. O primeiro ganho é operacional, tornando o processo mais ágil. Outra vantagem é a garantia de adubação do pasto, já que o produtor negligencia esse cuidado na ILP. A expectativa é que o experimento que está sendo realizado traga boas respostas nos próximos anos.

 

Fonte: DBO Outubro/2017

Foto: Site Iepec

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